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Amália no teatro

Ser ou não ser?

Já tinha um grande sucesso nas casas de fado e, por isso, rapidamente é chamada para o Teatro.


É em 1940 que Amália tem a sua estreia no Teatro Maria Vitória como atração da revista “Ora Vai Tu!”. Já tinha um grande sucesso nas casas de fado e, por isso, rapidamente é chamada para o Teatro. Entre 1940 e 1947 continua a fazer algumas revistas e operetas.  Amália preferia cantar em teatros do que em casas de fados – como era tímida, ter o público à sua frente dava um certo conforto. Além disso, a quantidade de público era maior em teatros e os aplausos de que Amália tanto gostava faziam ouvir-se de outra maneira. “Um teatro inteiro a bater palmas dá muito mais prazer”, diz a Victor Pavão dos Santos na sua biografia.

Em 1941 é a atração principal na Revista “Espera de Toiros”. Em 1942, atua nas revistas “Essa é que é essa” e “Boa Nova”. É neste ano que acontece o encontro entre Amália e um dos seus grandes compositores, o maestro Frederico Valério, segundo Amália explica na sua biografia “(…) o mais importante, na minha passagem pelo teatro”. Foi o primeiro a entender verdadeiramente a sua voz, a sua beleza e extensão. Amália “tinha uma grande ternura por ele, uma grande gratidão”, e desta ligação saíram vários sucessos, como por exemplo o Fado Ciúme, um dos primeiros a correr Portugal.

Em 1943, faz parte do elenco da revista ”Alerta está!". Em 1944, entra na revista “Rosa Cantadeira”, onde canta o Fado Ciúme, e durante quatro meses atua no Casino Copacabana no espetáculo “Numa Aldeia Portuguesa”, concebido especialmente para ela. Foi pela primeira vez ao Brasil em 1944 e “foi um sucesso tão grande, que nunca mais deixei de lá voltar”, diz Amália na sua biografia. O espetáculo “Numa Aldeia Portuguesa” teve um grande êxito e Amália foi logo contratada para a Rádio Globo e convidam-na para o teatro. “Mas eu  não aceitei, porque já estava lá há mais de dois meses e nunca tinha ficado tanto tempo fora de Lisboa. Tinha muitas saudades e quis vir cá passar o Natal”. Mais tarde em 1945 acaba por aceitar regressar ao Brasil e permanece durante dez meses na Companhia de Revistas Amália Rodrigues no Teatro República e no Casino de Copacabana. Representa primeiro a revista “Boa Nova”, numa versão muito diferente da que tinha sido apresentada em Lisboa, e depois a opereta “Rosa Cantadeira”, onde fazia o papel criado por Hermínia Silva.

Em 1946, Piero, um grande empresário da época fez uma nova montagem da opereta “Mouraria” dirigida propositadamente para Amália. No mesmo ano, entra na revista “Estás na Lua” como atração principal. Em 1947, é atração da revista “Se aquilo que a gente sente”.

Amália em "A Severa"

Em 1955, é a protagonista da peça “A Severa”, a convite de Vasco Morgado. Amália aceitou o convite mas tinha medo, achava que não ía conseguir, achava que aquela personagem nada tinha a ver consigo, e por isso quinze dias depois tenta ir embora. Contudo falaram-lhe que a companhia estava desfeita e que já tinha sido gasto dinheiro nos cenários, e acabou por ficar. “Resolvi ficar e fazer uma amaliazada. Chamei a Severa a mim. Eu sabia lá como era a Severa!” conta Amália na sua biografia. E foi nesta altura que Amália percebeu que era capaz de muito mais no teatro declamado do que em revista.


“Depois houve muitos projetos, mas nada se concretizou. E eu sempre tive um pressentimento que se tivesse alguém que me dirigisse podia ter feito coisas boas. Talvez não extraordinárias, mas sentia que tinha jeito. Nunca tive a sorte de encontrar quem me dirigisse. Só lhes interessava o meu nome para o Cartaz.” diz a Vítor Pavão dos Santos na sua Biografia.