“Quando fizerem a minha história e eu já não for viva para dizer como foi, então é que se vão fartar de inventar. Mesmo falado por mim muita gente dirá que não é verdade, que os boatos é que são a verdade. Uma pessoa é dona de si própria. Se fosse essa a verdade não me importava que falassem. O que me irrita é a mentira. Mas sei que a minha história vai ser aquela que escolherem, aquela que é a mais interessante, aquela que não é a minha.”
1920 – Filha de Albertino de Jesus Rodrigues e de Lucinda da Piedade Rebordão, nasce Amália da Piedade Rodrigues, a 23 de Julho, na Rua Martim Vaz, nº86, em Lisboa.
1922 – Os pais regressam ao Fundão deixando Amália ao encargo dos avós maternos.
1929 – Começa a estudar na Escola Oficial da Tapada da Ajuda, onde completa a instrução primária. Na infância, apesar da timidez, diverte-se a cantar para as vizinhas e em eventos da escola que frequenta.
1931-34 – Trabalha como bordadeira, engomadeira e operária de fábricas de bolos na Pampulha.
1934 – Com o regresso dos pais à capital, passa a viver com eles, dois irmãos e duas irmãs no bairro de Lisboa.
1935 – Vive no bairro de Alcântara e torna-se solista da sua marcha, cantando por praças e verbenas. Começa a vender fruta no cais da rocha juntamente com a irmã Celeste Rodrigues e a mãe.
1938 – Em representação de Alcântara, entra no concurso Rainha do Fado dos Bairros, do qual acaba por desistir. Apresenta-se nessa altura como Amália Rebordão. É neste concurso que conhece Francisco da Cruz, torneiro-mecânico e guitarrista amador, com o qual vem a casar em 1940. O casamento dura apenas dois anos.
1939 – Actua em Sociedades de Recreio de forma amadora. Estreia-se, em Julho, como fadista profissional, no Retiro da Severa, tornando-se cabeça de cartaz logo no início de Outubro.
1940 – Actua em diversos retiros de fado, onde inventa a fadista vestida totalmente de negro. Por influência de José de Melo, passa a cantar no Café Luso e no Solar da Alegria, tornando-se a fadista mais bem paga do país, ao receber um conto de réis por espectáculo. Estreia-se no teatro com a revista Ora vai tu.