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Coleções

O reflexo de uma vida partilhada com o

povo português e com o mundo


O acervo museológico da Casa Museu reflecte o gosto pessoal e ecléctico de Amália, reflectido aliás nas suas diferentes divisões. Mais do que uma colecção privada estamos perante o reflexo de uma vida partilhada com o povo português e com o mundo.

Amália não escondia a sua admiração e gosto refinado pela arte, pelo design ou pelo artesanato.

Acima de tudo diria que não era uma coleccionadora, mas que gostava das suas “bugigangas”, termo que usava para descrever os objectos que a rodeavam.

Os frutos da sua actividade profissional permitiram que, desde o início da sua carreira como artista, pudesse adquirir nas mais afamadas casas de arte e que convivesse com os maiores e melhores artistas, estilistas e aderecistas da época.

Para além disso, Amália fez-se sempre acompanhar por uma simplicidade e uma elegância que lhe permitiam visitar os antípodas: ser uma grande diva dos palcos mundiais ou uma mulher tímida e reservada que viveria em perfeita união com a natureza campestre. Os objectos de Amália são personificações da sua sensibilidade. Em cada vestido, sapato, jóia, tela ou cerâmica aprendemos algo sobre a sua vida e a sua carreira. 


Vestidos

Por inúmeras razões, há um “antes” e um “depois” de Amália no que diz respeito ao estatuto social do Fado. Uma das quais será sem dúvida o aperfeiçoamento da performance fadista através da inovação da sua imagem: com Amália a fadista torna-se numa mulher cosmopolita e sofisticada que consolidava a respeitabilidade de uma imagem cuidadosamente construída.

No que diz respeito aos seus vestidos, Amália dizia: “estar bem vestida é quando uma pessoa olha para o espelho e se sente bem. Mesmo que seja fora de moda. Eu vou para os extremos. Ou sou uma pessoa com uns vestidos pretos muito clássicos, ou então é o oposto.” Não há como negar que o negro ficara para sempre ligado à figura de Amália, contudo, é de notar que dos cerca de 150 vestidos existentes na Casa Museu mais de um terço desta colecção são vestidos coloridos com diferentes adornos e motivos estilizados. Durante a sua carreira, Amália colaborou com diversos estilistas portugueses, como Pinto de Campos, Ana Maravilhas e Teresa Mimoso. A partir da década de 70 e até ao final da vida de Amália, é a sua modista pessoal a Dona Ilda Aleixo que lhe irá confeccionar os vestidos, muitos dos quais idealizados por Amália. 

Vestido usado no concerto dos 50 anos de carreira

Coliseu

Vestido preto usado no concerto dos 50 anos de carreira

Coliseu

Vestido usado na digressão dos 50 anos de carreira

Vestido nunca usado, mas concebido para os 50 anos de carreira

Vestido dos malmequeres

Um dos preferidos de Amália

Vestido usado num espetáculo no Olympia (1980)

Nota: Todos os vestidos apresentados foram idealizados por Amália e, depois, concebidos pela Dona Ilda Aleixo

Sapatos de palco

Sapatos

Amália adorava sapatos, e esta talvez seja a única colecção em que nos atrevemos a chamar-lhe uma verdadeira coleccionadora. 177 pares de sapatos completam esta colecção onde encontramos sapatos de palco, mas maioritariamente para eventos formais. Sergio Rossi, Prada, Versace, Yves Sant Lauren e Salvatore Ferragamo são algumas das marcas da alta couture que pudemos encontrar. Todavia, os itens mais interessantes desta colecção serão os 17 pares de sapatos de palco em que conhecemos a intenção de Amália em disfarçar o seu 1m58. Os sapatos de palco, em plataforma e feitos propositadamente para a nossa fundadora, em Portugal, teriam todos de 15 a 17 centímetros


Joias

Desde o início da sua carreira que Amália se preocupara com a forma como se apresentava em palco, fosse num grande palco mundial ou numa casa de fado Lisboeta. Este cuidado estético permitiu-lhe reunir uma extraordinária colecção de jóias que hoje completam o acervo da Fundação Amália Rodrigues. No que diz respeito a jóias, a imagem de marca de Amália são os brincos longos e brilhantes que seriam visíveis da última fila da sala de espectáculos. As jóias de Amália são maioritariamente trabalhos feitos em Portugal, tirando algumas excepções como, por exemplo, um colar Cartier em ouro branco, diamantes, rubis e esmeraldas, de origem francesa. Pulseiras, anéis, pregadeiras e brincos são alguns dos objectos que podemos encontrar, trabalhados em ouro, filigrana, diamantes e ametista, referentes aos séculos XVII, XVIII, XIX e XX. 

Brincos e alfinete em prata, ouro, rubis e diamantes

Portugal, primeira metade do século XIX

Pulseira em ouro branco e diamantes

Portugal, anos 1930. Oferecida a Amália pelo compositor Alain Oulman

Alfinete de peito em ouro e diamantes

Primeira metade do século XIX. Jóia predilecta de Amália e a mais admirada pelo público

Pulseira em ouro, diamantes, ametista e esmalte

França, 1980

Anel em ouro, ametista e diamantes

Século XX

Colar Cartier em ouro branco, ouro amarelo, diamantes, rubis e esmeralda

França, anos 1980

Brincos em ouro e diamantes

Portugal, século XVIII/XIX
Autor das fotografias: Paulo Andrade

Condecorações e honorários

Uma vida dedicada à música e a cultura transformou Amália num heterónimo de Portugal. Actuar nos quatro cantos do mundo permitira que Amália fosse admirada por diversos públicos e países sendo considerada como uma das maiores cantoras do século XX. Por essa razão, Amália é hoje a mulher portuguesa mais condecorada da história. Portugal, Espanha e França condecoraram-na com as mais altas ordens honoríficas, seguindo-se-lhes Israel, Líbano, Bélgica, Brasil, Macau e Japão. É de destacar a Legion D’Honneur (1991) de França, o grau de Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica em Espanha (1990), a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique em Portugal (1998) e a atribuição de membro da Ordem Nacional dos Cedros do Líbano (1971). Notemos que o Brasil condecora Amália a título póstumo com a Ordem do Cruzeiro do Sul (2001) e a comunidade portuguesa nos Estados Unidos da América e no Canadá atribuiu-lhe, ainda em vida, diversas congratulações pelo serviço prestado à cultura portuguesa: são exemplos o Amália Rodrigues Day em Toronto, em 1985, e a congratulação do estado de Rhode Island em 1970. 


Decoração

Para Amália o que importava era a beleza dos objectos e não a sua escola ou técnica. Ao observarmos a decoração da sua casa percebemos a dualidade na personalidade e no gosto de Amália. As porcelanas da Companhia das Índias combinam na perfeição com as figuras religiosas e os trabalhos em alabastro italiano, do século XVII. É de destacar o original do busto de Amália, da autoria do escultor Joaquim Valente, dois patos vermelhos de Murano e a Última Ceia em pedra, feita por Chica uma amiga artesã. Um menino Jesus sentado, do século XVII, acompanha a decoração do salão da casa juntamente com um relógio em bronze dourado do século XIX e dois pés de fruteiro de bronze, trabalho francês do século XVIII. Numa casa onde podemos encontrar uma escultura de José Franco encontramos também uma tapeçaria com cena de caça do século XVIII ou uma peça em madeira pintada com motivos ortodoxos do século XIX. Estando em casa de Amália não podia faltar uma guitarra portuguesa com granadas, turquesas e minas novas do século XVII, uma guitarra portuguesa e um bandolim com embutidos, ambos do século XIX e um piano de meia cauda da Casa Petrov. A casa, decorada de acordo com a sensibilidade de Amália, é um edifício anterior ao terramoto de 1755, revestido com lambril de azulejos azuis do século XVII e XVIII. 

Pormenor do Quarto de Amália e César

Religiosidade de Amália

Porcelanas

Companhia das Índias

N. Sra. do Carmo

Amália era muito devota a N. Sra. do Carmo

N. Sra. de Fátima

Com terço oferecido por João Paulo II a Amália (colocado na figura de N. Sra.)

Busto de Amália

De Joaquim Valente (anos 1950)

Oratório (Quarto de Amália e César)

Séc. XVII

Quadro de Van Boomen

Salão da Casa Museu

Retrato de Amália (por Maluda)

Escadaria interior da Casa

Pintura

Desde gravuras, a retratos passando pelas paisagens a casa de Amália tem diversas pinturas de arte. Alguns dos autores que podemos encontrar são Pinto Coelho, Ribo, Van Boomen, Menez, Mário Cesariny, Cargaleiro, Jacinto Luís, Eduardo Malta, entre tantos outros. É de destacar os retratos de Amália feitos por Pinto Coelho (1990), Maluda (1966), Pedro Leitão (1946), Pedro Malta (1948) e Jacinto Luís (1980). 


Mobiliário

A sofisticação e o apuramento clássico da casa estão reflectidos no mobiliário de Amália. Destaca-se um canapé português em nogueira entalhada e palhinha do 3ºquartel do século XVIII, uma arca portuguesa em sicupira do século XVII e ainda três cadeiras de nogueira entalhada parcialmente dourada do tempo de D. José. Duas meias cómodas em pau santo, feitas em Portugal no século XVIII, um tremó italiano em talha dourada do século XVIII, uma cama pintada D. Maria do século XVIII e um oratório português policromado do século XVII. 


Todas as fotografias constantes desta página (à exceção das fotos das joias) são da autoria de Luís Silva Campos