Uma Cantora do Mundo

Uma Mulher - Cinco Continentes



“O que me ficou disto tudo, deste trabalho todo, no fundo foi muito e foi enorme, mas o que me ficou disto tudo, foram as palmas, foi o público, foi o amor das pessoas. É ele que me tem alimentado.”

Sessão de autógrafos, década de 60

Ninguém diria que num bairro pobre da Lisboa Antiga nasceria a
cantora portuguesa mais conhecida de todos os tempos. A voz que levava o choro, a alma e a saudade de um povo percorreu os 5 continentes, mais de 68 países, tornando-se na primeira artista portuguesa verdadeiramente internacional. Falar do percurso de Amália é aceitar as dificuldades em mencionar todos os concertos, todas cidades ou todas as digressões. Talvez o Fado nos tenha dado Amália, mas Amália deu o Fado ao mundo. Das marchas populares às típicas casas de fado foram dois anos, das casas de fado às boîtes e danceterias da moda foram mais dois, de Portugal parte para França e da França parte para o mundo. 



Actua pela primeira vez além-fronteiras com 23 anos em Espanha, viaja para o Brasil, para o México, actua nas celebrações do Plano Marshal por toda a Europa. Segue- se Nova Iorque, o Olympia de Paris, Israel, Moçambique, Inglaterra e Itália. Entra na década de 60 aclamada pela revista Variety como uma das cinco melhores vozes do mundo. Vai à Rússia, ao Japão, à Roménia, aos Países Baixos. Deixa a sua imagem de marca fincada nos palcos do Teatro Sistina, do Carnegie Hall, do Lincoln Center e do Hollywood Bowl. Em 1973, só em Itália dá mais de 80 concertos. Grécia, Turquia, Líbano, Austrália, Tunísia e Venezuela. 

Amália viveu no palco… são mais de 50 anos dedicados à música e acima de tudo ao seu público.


“Fui para fora com uma guitarra e uma viola, e fiz uma carreira internacional. Não foi o meu português, nem a minha falta de espectáculo. Foi a minha autenticidade que venceu.”

Informações retiradas da obra Amália, Uma Biografia de Victor Pavão dos Santos e do catálogo Amália: Coração Independente, 2009.